ONCOLOGIA • EXERCÍCIO • NEUROPATIA

Exercício durante a quimioterapia: será que sempre ajuda?

O exercício pode ser um grande aliado durante o tratamento do câncer. Mas transformar uma recomendação geral em uma meta rígida para todos os pacientes pode ignorar algo fundamental: cada organismo reage de uma maneira ao tratamento.

Dr Sam Silva Oncologia & qualidade de vida 6 min de leitura
Exercício, quimioterapia e neurotoxicidade
Exercício durante o tratamento precisa considerar sintomas, segurança e capacidade funcional de cada paciente.

Outro dia ouvi um médico defender que pacientes em quimioterapia deveriam realizar pelo menos 200 minutos semanais de exercício para aumentar as chances de sucesso do tratamento.

A ideia parte de um princípio importante. A atividade física pode trazer benefícios relevantes para pessoas com câncer e ajudar, entre outras coisas, na capacidade funcional, no condicionamento e em alguns aspectos da qualidade de vida.

Mas existe uma diferença enorme entre reconhecer os benefícios do exercício e transformar uma determinada quantidade de minutos em uma regra aplicável a todos.

O PONTO CENTRAL Durante a quimioterapia, exercício não deveria ser uma prova de resistência. Deveria ser uma estratégia individualizada.

Nem todo paciente consegue simplesmente “se exercitar mais”

Quem acompanha pacientes em tratamento oncológico sabe que os efeitos adversos podem alterar completamente a capacidade de realizar atividades que, antes, pareciam simples.

Um exemplo importante é a neuropatia periférica induzida por quimioterapia.

Alguns medicamentos utilizados contra o câncer podem lesionar nervos periféricos e provocar sintomas que interferem diretamente na mobilidade, no equilíbrio e na segurança do paciente.

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Dormência e formigamento

Especialmente nas mãos e nos pés.

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Dor ou queimação

Sensações neuropáticas podem tornar movimentos desconfortáveis.

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Fraqueza

Alguns pacientes apresentam perda de força e dificuldade funcional.

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Alterações de marcha

Equilíbrio e caminhada podem ser afetados, aumentando a preocupação com quedas.

Imagine agora pedir a uma pessoa que apresenta dormência nos pés, fraqueza ou dificuldade para caminhar que simplesmente cumpra uma meta rígida de minutos semanais.

Não se trata de falta de força de vontade.

Trata-se de compreender o que o tratamento está provocando naquele organismo.

Uma recomendação só é boa quando considera a realidade de quem precisa segui-la.

Então exercício durante a quimioterapia é ruim?

Não.

Essa também seria uma conclusão errada.

O exercício é hoje reconhecido como uma ferramenta importante dentro do cuidado oncológico e, quando adequadamente orientado, pode contribuir para diferentes aspectos da saúde e da qualidade de vida.

O problema é imaginar que existe uma dose universal que todos precisam atingir independentemente dos efeitos colaterais, do estágio do tratamento, das condições clínicas e da capacidade física.

EXERCÍCIO EM ONCOLOGIA

O melhor programa é aquele que o paciente consegue realizar com segurança

Recomendações gerais para adultos frequentemente mencionam faixas como 150 minutos ou mais de atividade física moderada por semana.

No contexto do câncer, porém, intensidade, frequência, modalidade e volume precisam ser ajustados à realidade de cada pessoa.

Para alguns pacientes, isso pode significar exercícios estruturados. Para outros, inicialmente, pequenas caminhadas, exercícios de equilíbrio, fortalecimento supervisionado ou sessões curtas podem ser mais adequados.

Neuropatia não deve ser ignorada

A neuropatia induzida pela quimioterapia merece atenção justamente porque os sintomas podem persistir mesmo depois do tratamento.

Por isso, dor, alterações de sensibilidade, perda de força, desequilíbrio ou dificuldades para caminhar devem ser comunicados à equipe responsável pelo tratamento.

Em alguns casos, o oncologista pode precisar avaliar o medicamento utilizado, a dose, os riscos de continuidade e as possibilidades disponíveis para manejo dos sintomas.

O objetivo não deveria ser simplesmente fazer o paciente atingir uma meta de exercício.

O objetivo deveria ser ajudá-lo a preservar função, autonomia e qualidade de vida durante o tratamento.

E onde entra o Biovit Bioglucan?

Como farmacêutico e pesquisador, tenho dedicado parte importante da minha trajetória ao estudo de estratégias capazes de apoiar o organismo em situações de grande estresse fisiológico.

Entre essas linhas de trabalho está o Biovit Bioglucan, uma formulação desenvolvida a partir de uma beta-glucana específica.

Ao longo da prática, recebemos relatos de pacientes e profissionais sobre diferentes experiências durante o uso do produto. Esses relatos são importantes para gerar hipóteses e direcionar novas pesquisas.

Mas existe uma diferença que considero fundamental entre uma observação clínica e uma conclusão científica.

BIOVIT BIOGLUCAN

Suporte não significa substituir o tratamento

O Biovit pode fazer parte de uma estratégia de suplementação discutida com o profissional de saúde, mas não deve ser apresentado como substituto da quimioterapia nem como tratamento comprovado para a neuropatia induzida por quimioterapia.

Nosso interesse científico é justamente continuar investigando como estratégias nutricionais e imunológicas podem contribuir para o cuidado do paciente, utilizando evidências cada vez mais robustas para responder essas perguntas.

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Primeiro o paciente. Depois, a meta.

Talvez essa seja a principal reflexão que quero deixar.

Uma recomendação de exercício pode estar correta do ponto de vista populacional e, ainda assim, precisar ser completamente adaptada quando colocamos um paciente específico à nossa frente.

Se aquela pessoa está enfrentando fadiga intensa, perda de equilíbrio, dormência, dor ou fraqueza, esses sinais precisam fazer parte da decisão.

Isso não significa abandonar o movimento.

Significa encontrar a quantidade, o tipo e a intensidade de movimento que façam sentido naquele momento.

Na medicina, números ajudam a construir diretrizes. Mas é o paciente à nossa frente que determina como essas diretrizes precisam ser aplicadas.

Se você está passando por quimioterapia

Não interprete dificuldade para cumprir uma meta de exercícios como fracasso.

Converse com sua equipe médica sobre sintomas neurológicos e sobre quais atividades são seguras no seu caso.

Dependendo da situação, o acompanhamento de fisioterapia ou de um profissional de exercício com experiência em oncologia também pode ajudar na construção de um programa mais individualizado.

Informação importante: este conteúdo tem caráter educativo e não substitui avaliação médica. Neuropatia, fraqueza, alterações de equilíbrio, dor ou outros sintomas durante a quimioterapia devem ser informados à equipe oncológica. Antes de utilizar suplementos durante o tratamento do câncer, converse com o médico responsável.
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