Outro dia ouvi um médico defender que pacientes em quimioterapia deveriam realizar pelo menos 200 minutos semanais de exercício para aumentar as chances de sucesso do tratamento.
A ideia parte de um princípio importante. A atividade física pode trazer benefícios relevantes para pessoas com câncer e ajudar, entre outras coisas, na capacidade funcional, no condicionamento e em alguns aspectos da qualidade de vida.
Mas existe uma diferença enorme entre reconhecer os benefícios do exercício e transformar uma determinada quantidade de minutos em uma regra aplicável a todos.
Nem todo paciente consegue simplesmente “se exercitar mais”
Quem acompanha pacientes em tratamento oncológico sabe que os efeitos adversos podem alterar completamente a capacidade de realizar atividades que, antes, pareciam simples.
Um exemplo importante é a neuropatia periférica induzida por quimioterapia.
Alguns medicamentos utilizados contra o câncer podem lesionar nervos periféricos e provocar sintomas que interferem diretamente na mobilidade, no equilíbrio e na segurança do paciente.
Especialmente nas mãos e nos pés.
Sensações neuropáticas podem tornar movimentos desconfortáveis.
Alguns pacientes apresentam perda de força e dificuldade funcional.
Equilíbrio e caminhada podem ser afetados, aumentando a preocupação com quedas.
Imagine agora pedir a uma pessoa que apresenta dormência nos pés, fraqueza ou dificuldade para caminhar que simplesmente cumpra uma meta rígida de minutos semanais.
Não se trata de falta de força de vontade.
Trata-se de compreender o que o tratamento está provocando naquele organismo.
Então exercício durante a quimioterapia é ruim?
Não.
Essa também seria uma conclusão errada.
O exercício é hoje reconhecido como uma ferramenta importante dentro do cuidado oncológico e, quando adequadamente orientado, pode contribuir para diferentes aspectos da saúde e da qualidade de vida.
O problema é imaginar que existe uma dose universal que todos precisam atingir independentemente dos efeitos colaterais, do estágio do tratamento, das condições clínicas e da capacidade física.
O melhor programa é aquele que o paciente consegue realizar com segurança
Recomendações gerais para adultos frequentemente mencionam faixas como 150 minutos ou mais de atividade física moderada por semana.
No contexto do câncer, porém, intensidade, frequência, modalidade e volume precisam ser ajustados à realidade de cada pessoa.
Para alguns pacientes, isso pode significar exercícios estruturados. Para outros, inicialmente, pequenas caminhadas, exercícios de equilíbrio, fortalecimento supervisionado ou sessões curtas podem ser mais adequados.
Neuropatia não deve ser ignorada
A neuropatia induzida pela quimioterapia merece atenção justamente porque os sintomas podem persistir mesmo depois do tratamento.
Por isso, dor, alterações de sensibilidade, perda de força, desequilíbrio ou dificuldades para caminhar devem ser comunicados à equipe responsável pelo tratamento.
Em alguns casos, o oncologista pode precisar avaliar o medicamento utilizado, a dose, os riscos de continuidade e as possibilidades disponíveis para manejo dos sintomas.
O objetivo não deveria ser simplesmente fazer o paciente atingir uma meta de exercício.
O objetivo deveria ser ajudá-lo a preservar função, autonomia e qualidade de vida durante o tratamento.
E onde entra o Biovit Bioglucan?
Como farmacêutico e pesquisador, tenho dedicado parte importante da minha trajetória ao estudo de estratégias capazes de apoiar o organismo em situações de grande estresse fisiológico.
Entre essas linhas de trabalho está o Biovit Bioglucan, uma formulação desenvolvida a partir de uma beta-glucana específica.
Ao longo da prática, recebemos relatos de pacientes e profissionais sobre diferentes experiências durante o uso do produto. Esses relatos são importantes para gerar hipóteses e direcionar novas pesquisas.
Mas existe uma diferença que considero fundamental entre uma observação clínica e uma conclusão científica.
Suporte não significa substituir o tratamento
O Biovit pode fazer parte de uma estratégia de suplementação discutida com o profissional de saúde, mas não deve ser apresentado como substituto da quimioterapia nem como tratamento comprovado para a neuropatia induzida por quimioterapia.
Nosso interesse científico é justamente continuar investigando como estratégias nutricionais e imunológicas podem contribuir para o cuidado do paciente, utilizando evidências cada vez mais robustas para responder essas perguntas.
Conheça o Biovit Bioglucan →Primeiro o paciente. Depois, a meta.
Talvez essa seja a principal reflexão que quero deixar.
Uma recomendação de exercício pode estar correta do ponto de vista populacional e, ainda assim, precisar ser completamente adaptada quando colocamos um paciente específico à nossa frente.
Se aquela pessoa está enfrentando fadiga intensa, perda de equilíbrio, dormência, dor ou fraqueza, esses sinais precisam fazer parte da decisão.
Isso não significa abandonar o movimento.
Significa encontrar a quantidade, o tipo e a intensidade de movimento que façam sentido naquele momento.
Se você está passando por quimioterapia
Não interprete dificuldade para cumprir uma meta de exercícios como fracasso.
Converse com sua equipe médica sobre sintomas neurológicos e sobre quais atividades são seguras no seu caso.
Dependendo da situação, o acompanhamento de fisioterapia ou de um profissional de exercício com experiência em oncologia também pode ajudar na construção de um programa mais individualizado.